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Blog do Pão - Tudo sobre pão e sua matéria prima

Um resumo da História do pão e sua chegada ao Brasil

Por: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

Pão francês, pão rústico, bengala, filão, pão caseiro, pão de cereais, ciabatta, bisnaguinha, pão sírio, pão doce, pão australiano, pão de forma, pão italiano, pão integral... O pão é um dos alimentos mais tradicionais em todo o mundo. Para homenagear essa iguaria tão variada, tão popular e tão consumida, foi criado o Dia Mundial do Pão, celebrado hoje (16). O dia foi instituído em 2000, em Nova York, pela União dos Padeiros e Confeiteiros.

A história do pão é antiga. Ele teria surgido há mais de 6 mil anos, quando os egípcios descobriram a fermentação do trigo. Ali ele era considerado um alimento básico e era um símbolo de poder. Os pães preparados com trigo de qualidade superior eram destinados apenas aos ricos. Os egípcios se dedicavam tanto ao pão que se tornaram conhecidos como “comedores de pão”.

“É importante lembrar da importância que o pão tem para a humanidade. Desde os primórdios, os grãos eram consumidos de forma bruta, comidos crus. Posteriormente, alguns historiadores falam que, por acidente, os pães - que eram formados numa pasta mascada na boca, pasta essa feita de mingau – caíram em cima de uma pedra quente, em uma fogueira e, a partir dali, se gerou uma massa assada”, conta o especialista e historiados sobre pão, Augusto Cezar de Almeida, em entrevista à Agência Brasil. Almeida é autor de diversos livros como A História da Panificação Brasileira – a Fantástica História do Pão e da Evolução das Padarias no Brasil e do Dicionário da Panificação Brasileira. Ele também é editor da revista Panificação Brasileira.

Quando o homem começa a controlar o processo de fermentação, a técnica de fazer pão se aprimorou e se espalhou pelo mundo. “No começo da história, tinha muita rejeição àquilo que fermentava porque dava ideia que estava estragando. Quando se teve controle, com Pasteur [Louis Pasteur, cientista francês, 1822-1895], que foi um estudioso que conseguiu controlar e entender o processo fermentativo, essa ação da fermentação passou a se propagar de forma mais controlada, mais industrial”.

O pão no Brasil

Almeida conta que o produto chegou ao Brasil por meio dos portugueses: “Para se ter ideia, o primeiro documento que narra um brasileiro consumindo pão foi a carta de Pero Vaz de Caminha. Quando as naus [portuguesas] chegaram em território brasileiro, elas traziam pães. Os índios então provaram, pela primeira vez, aquilo que era totalmente estranho, que era o pão. E a reação dos índios não foi lá muito favorável porque eles não estavam habituados a consumir aquele tipo de produto. Os produtos que se consumiam aqui eram derivados da mandioca e típicos da região”.

Os pães que foram provados pelos índios eram muito rústicos e, pela longa viagem, provavelmente eram duros também. “Por isso não deve ter sido muito fácil aceitar”, diz Almeida.

Mas com o plantio do trigo, que teria sido iniciado pelas sementes trazidas por Martim Afonso de Souza [nobre e militar português, 1490-1570], é que o hábito de comer pão começa a crescer no país. “A primeira narrativa que se tem aqui [no Brasil] de trigo foi com Martim Afonso de Souza, lembrando das Capitanias Hereditárias. Ali, o militar Martim Afonso de Souza se tornou donatário da Capitania de São Vicente, primeira capitania que tivemos no Brasil. Ele também era governador da Índia, muito próxima das regiões árabes, e ele trouxe sementes de trigo para o Brasil. São duas narrativas que pouco se fala aqui: primeiro, que o pão foi provado pelos índios nas naus portuguesas. E, segundo, que o trigo foi trazido pelo Martim Afonso de Souza”, conta o historiador.

Padarias

No ano passado, havia em todo o país 70.523 padarias, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip). Mais de 14 mil delas estavam localizadas no estado de São Paulo. A maior parte dessas padarias, cerca de 95% do total, são micro e pequenas empresas familiares.

A primeira delas pode ter surgido no Rio de Janeiro. Ou em São Vicente, no litoral paulista. Mas há poucos dados ou registros sobre isso. Com isso, a padaria que ficou conhecida como a mais antiga do Brasil é a Santa Tereza, localizada na região da Praça da Sé, em São Paulo. A Santa Tereza foi fundada em 1872.

“Debret [1768-1848], um [pintor e desenhista] francês que veio junto com a Família Real, fez uma série de ilustrações que falaram sobre algumas características da época. E uma das gravuras que ele faz é de uma padaria onde a moagem do trigo era feita dentro dela. Ali se moía e se fazia a farinha. A narrativa do Debret fala ainda que os pães feitos pelos franceses no Rio de Janeiro não eram iguais aos da França”, contou o historiador. “A França historicamente tem pães de uma casca mais grossa, feito com fermentação mais longa. São pães mais compactos. No Brasil, já tivemos o período dos filões, com densidade maior, mais pesados; e das baguetes, que eram pães mais parecidos com os da França. Porém não tinham os mesmos componentes e nem o tipo de fermentação que era feito lá na França”.

“As padarias, no passado, eram consideradas indústrias na cidade. Elas fabricavam biscoito, bolachas, vários produtos que eram vendidos para outras regiões próximas. Bolachas e biscoitos são produtos que não se estragam facilmente. As padarias tinham capacidade industrial e empregavam muitas pessoas. Depois surgiram as indústrias de biscoito e massas. Tem muitas histórias de grandes indústrias hoje no mercado brasileiro que surgiram de padarias”, contou o historiador.

Pão francês

Almeida conta que o pão branco, com um miolo úmido, revestido por uma casca fina, dourada e levemente crocante, composto por água, farinha de trigo, sal e fermento, e mais conhecido como pão francês – o nome varia conforme a região do país –, é o mais consumido pelos brasileiros. Entre os produtos de panificação, a venda de pão francês corresponde atualmente, segundo a Abip, a 45% do total comercializado nas padarias.

No entanto, ele vem perdendo espaço para a imensa variedade de pães que existem hoje: “O pão francês percentualmente está perdendo a sua importância - não porque está deixando de ser consumido, mas porque outros tipos de pães estão crescendo no consumo como os integrais ou com cereais”.

“Os primeiros registros com o nome de pão francês são da época de Debret, na época da Família Real presente no Brasil. Mas entendo mais isso como o pão francês feito pelos franceses, já que as características não eram tão iguais assim. Se procurar o pão francês como temos no Brasil, na França, não vamos encontrar”, diz o especialista.

Assista na TV Brasil:

A história do pão:

Por: Sindipão GO

É uma das mais antigas e fascinantes da humanidade, remontando a milhares de anos, quase desde o início da civilização.

Origem do Pão:

Estima-se que o pão tenha surgido há cerca de 12 mil anos, durante o período neolítico, quando as primeiras civilizações começaram a abandonar o estilo de vida nômade e se estabelecer para praticar a agricultura. Os primeiros tipos de pão eram provavelmente feitos com grãos selvagens moídos e misturados com água, criando uma espécie de massa crua que era cozida em pedras quentes. Esses pães primitivos eram achatados, duros e não fermentados.

O Surgimento do Pão Fermentado:

O grande avanço na produção de pão ocorreu por volta de 4.000 a.C., no Egito Antigo, onde os egípcios descobriram a fermentação. Conta-se que um dia, por acidente, uma massa de farinha e água foi deixada ao ar livre, capturando leveduras naturais presentes no ambiente. Quando essa massa foi assada, o resultado foi um pão mais leve e macio. Esse processo de fermentação foi revolucionário, e os egípcios rapidamente se tornaram

mestres na arte de fazer pão fermentado. Eles também foram os primeiros a usar fornos de barro, que permitiam uma cozedura mais uniforme e eficaz. Com isso, o pão se tornou um alimento básico na dieta dos egípcios, sendo consumido diariamente e até usado como moeda de troca e oferenda religiosa.

Pão na Grécia e em Roma:

Os gregos aperfeiçoaram a técnica egípcia, criando uma grande variedade de pães com diferentes formas e ingredientes, como mel e azeite, além de desenvolverem os primeiros moinhos movidos por água. Posteriormente, os romanos herdaram o conhecimento dos gregos e expandiram ainda mais o processo de panificação. Eles criaram padarias públicas, regulamentaram a produção de pão e tornaram-no acessível a várias classes sociais. O pão era tão importante na Roma Antiga que o governo frequentemente distribuía pão gratuitamente à população para manter a paz.

Idade Média:

Durante a Idade Média, o pão continuou a ser essencial na Europa, especialmente em mosteiros, que aperfeiçoaram ainda mais a produção. O pão de trigo era reservado às classes mais altas, enquanto o pão de centeio e cevada era consumido pelos mais pobres. Nessa época, as padarias começaram a surgir como um negócio mais formalizado, com padeiros assumindo um papel importante na sociedade.

Revolução Industrial:

No século XVIII, com o advento da Revolução Industrial, a produção de pão passou por mais uma transformação. A invenção de moinhos mais eficientes e o desenvolvimento de fornos industriais permitiram que o pão fosse produzido em larga escala, tornando-o mais acessível. Foi também nessa época que o fermento comercial começou a ser usado, tornando o processo de fermentação mais rápido e previsível.

O Pão nos Tempos Modernos:

No século XX, o pão tornou-se um alimento global, com diferentes países e culturas criando suas próprias variações e especialidades. Nos Estados Unidos, por exemplo, a invenção do pão fatiado em 1928 revolucionou a forma como o produto era consumido. O surgimento de padarias industriais também trouxe pães produzidos em massa, que, embora convenientes, muitas vezes careciam do sabor e qualidade dos pães tradicionais.

Nos últimos anos, há uma crescente valorização dos métodos artesanais de produção de pão, com o ressurgimento de técnicas antigas, como o uso de fermento natural (levain). O pão artesanal, feito com ingredientes simples e fermentado naturalmente, está voltando a ganhar espaço, tanto pela sua qualidade quanto pela busca por um estilo de vida mais saudável e sustentável.

Conclusão:

O pão tem acompanhado a humanidade em sua evolução e é muito mais do que apenas um alimento. É símbolo de sustento, tradição e comunidade, variando em forma e sabor ao redor do mundo. Desde os tempos antigos até hoje, o pão continua a ser um dos alimentos mais consumidos e apreciados, com uma rica história que reflete a própria história da civilização humana.